A Fenalaw 2026 terminou nesta quinta-feira (29) com uma mensagem clara: a inteligência artificial no jurídico já não precisa provar que funciona. Agora precisa provar que vale o investimento.
A 23ª edição do evento, a primeira no Transamerica Expo Center, reuniu durante três dias líderes de departamentos jurídicos, escritórios, lawtechs e especialistas. A Doc9 acompanhou tudo de perto no estande C20 e fez a curadoria dos principais conteúdos. Neste post, reunimos o que mais importa para quem lidera ou opera um jurídico.
O último dia: hora de medir
“Valeu a pena?” O título de um dos cases apresentados na quinta-feira resume bem o encerramento. Depois de dois dias de cobrança por resultado, os palcos trouxeram números concretos: retorno de 15 vezes sobre o investimento, mais de 90% de acurácia e redução de 80% no trabalho da controladoria.
O historiador Leandro Karnal abriu o dia com a plenária “Liderança e Protagonismo Humanos”, sobre o papel de quem lidera em um mercado cada vez mais automatizado. Completaram a agenda as reformas do Judiciário e do Código Civil, os 10 anos do CPC/15 e a trajetória do jurídico até o topo das empresas.
1. Medir antes de escalar
PepsiCo, Sabesp e Santander apresentaram resultados de IA já medidos. Alpargatas e KPMG mostraram o caminho para chegar a esses números.
O recado para quem ainda está começando é direto: os indicadores precisam ser definidos antes da contratação da ferramenta. Sem uma linha de base, não há como saber se a tecnologia valeu o investimento. Tempo de ciclo, volume tratado por pessoa, taxa de erro e custo por demanda são bons pontos de partida.

2. Quem responde pela IA
Proibir não funciona; liberar sem critério é arriscado. O dilema apresentado pela Duranium mostra que cabe ao jurídico definir o que pode passar pela IA e quem revisa o resultado.
Volaris Group e Xjur lembraram que alguém continua assinando cada resposta. Já o b/luz mostrou que a divisão de trabalho entre advogados e agentes de IA já está sendo redesenhada na prática.
Na prática, governança de IA passa por regras claras de uso, classificação dos dados que podem ser processados (com atenção à LGPD), revisão humana obrigatória e rastreabilidade de quem aprovou o quê.
3. Do jurídico ao topo
Fernando Modé, CEO do Grupo Boticário, contou como a formação em Direito o levou ao comando da empresa. Santander, Uber e Citrosuco reforçaram a mesma ideia: o domínio técnico abre portas, mas o que sustenta a carreira é a capacidade de decidir pelo negócio.
Para o jurídico, isso significa trocar o papel de guardião de riscos pelo de parceiro estratégico, que traduz risco em decisão.
4. Reformas em pauta
Leonardo Sica, presidente da OAB SP, e Oscar Vilhena, da FGV, debateram por que o Judiciário ainda não mudou. A reforma do Código Civil e os 10 anos do CPC/15 também ganharam painéis próprios.
Para quem lida com contratos de longo prazo, a revisão de cláusulas já deve entrar no radar. A análise de impacto em cada caso deve ser feita com a orientação de um advogado habilitado.

Três dias de Fenalaw: do entusiasmo à prova
Ao longo do evento, o debate sobre IA saiu do que a tecnologia é capaz de fazer e chegou ao retorno que ela gera. Os cases de quinta-feira foram o ponto de chegada dessa mudança. Para Maria Juliana Barbosa, diretora-executiva da Fenalaw, medir esse valor é hoje um dos principais desafios do setor.
Quem já faz, já é reconhecido. O Prêmio Análise DNA+ Fenalaw confirmou que a mudança saiu do discurso. Entre as oito categorias, a inteligência artificial concentrou o maior número de projetos premiados, da automação de provas previdenciárias à perícia contra comandos ocultos em documentos.
O fator humano continua central. Nelcina Tropardi, do Grupo Carrefour Brasil, resumiu a conclusão dos debates sobre responsabilidade: as ferramentas ganham eficiência, mas não substituem “a capacidade de julgamento e o bom senso humanos”.
Na estante: lançamentos do último dia
Na Vila do Conhecimento, seis títulos foram lançados no último dia. Destacamos quatro:
| Título | Autor | Editora |
|---|---|---|
| Inteligência Artificial na Advocacia: Impactos Reais sobre Produtividade, Estratégia e Responsabilidade | Solano de Camargo | Thomson Reuters |
| Engenharia de Prompts no Direito 2.0: Da Instrução Isolada à Arquitetura de Contexto | Solano de Camargo | Thomson Reuters |
| Governança Corporativa para a Gestão de Riscos e Compliance Ético e Legal da IA | Alexandre Zavaglia (também palestrante sobre o tema) | Thomson Reuters |
| Governança Estratégica para Escritório de Advocacia | José Paulo Graciotti | — |
A Fenalaw acabou. Os desafios do seu jurídico, não.
Os três dias de evento confirmaram o que a Doc9 defende: tecnologia que acelera a operação jurídica sem abrir mão do controle. Medir resultados, definir quem revisa o que a IA entrega e manter a rastreabilidade das decisões são os próximos passos de qualquer jurídico que quer escalar com segurança.
Se não deu tempo de passar pelo nosso estande C20, ou se você quer aprofundar o que viu por lá, nosso time mostra na prática como levar mais segurança e eficiência para a rotina da sua operação.

Sobre o autor
Equipe doc9
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