Institucional · 7 min de leitura

Compartilhamento de certificado digital: como fazer com segurança

Daniele Consoni

doc9 · publicado em julho 29, 2026

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Pessoa clicando em um ícone de pasta que se conecta a diversos documentos, fazendo referência ao compartilhamento de certificado digital

O compartilhamento de certificado digital acontece todos os dias em escritórios de advocacia e departamentos jurídicos, quase sempre da forma errada: senha por WhatsApp, arquivo .pfx por e-mail, token físico passando de mesa em mesa. A pergunta certa não é se dá para compartilhar, mas como fazer isso sem abrir mão do controle sobre quem usa o certificado, quando e para quê.

Com mais de 15 milhões de certificados digitais ativos no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), a prática de dividir o acesso entre sócios, advogados e colaboradores só cresce, junto com o risco.

Isso vale tanto para o departamento jurídico que administra dezenas de certificados quanto para o advogado que usa a própria credencial para peticionar em sistemas como PJe, e-CNJ e Projudi: o risco de perder o controle sobre quem assina em seu nome é o mesmo, muda só a escala.

Alguns números

Em levantamento feito pela Global Fraud and Risk Outlook 2026 sobre fraudes no segmento financeiro, por exemplo, o Brasil é um dos líderes no que diz respeito aos ataques à identidade sintética no mundo, com 48,3% dos casos registrados na América Latina. 

Pesquisa do Gartner, revelou que 62% das organizações já sofreram algum tipo de ataque com deepfake nos 12 meses anteriores. A consultoria também projeta que, até o final de 2026, 30% das empresas deixarão de considerar a verificação de identidade isolada como método confiável, em razão da sofisticação dos ataques gerados por IA. 

Os riscos de compartilhar sem controle

Quando o certificado circula informalmente, três riscos aparecem juntos:

  • Responsabilidade pessoal do titular. A guarda do certificado é exclusiva de quem o emitiu. O titular responde por tudo que é feito com ele, mesmo quando quem operou foi outra pessoa.
  • Risco penal. Usar o certificado de terceiro sem autorização pode configurar falsidade ideológica (art. 299 do Código Penal), com penas agravadas para fraudes cometidas por meio eletrônico pela Lei nº 14.155/2021.
  • Exposição em LGPD. O certificado carrega dados pessoais do titular. Compartilhar sem controle de acesso formal é descumprir o dever de segurança da informação que a LGPD impõe a quem trata esses dados.
  • Perda de rastreabilidade. Quando vários colaboradores usam a mesma senha, ninguém consegue afirmar com certeza quem fez o quê, em qual sistema e quando. Um incidente vira investigação às cegas.
  • Sobrecarga operacional da equipe. Cada colaborador que entra ou sai gera uma rodada manual de troca de senha, reinstalação e ajuste de acesso, um trabalho que cresce junto com o tamanho da equipe.

Pode compartilhar certificado digital? O que diz a lei

A Medida Provisória nº 2.200-2/2001, que instituiu a ICP-Brasil, coloca a guarda da chave privada do certificado sob responsabilidade única e pessoal do titular. Não existe previsão legal para “emprestar” a senha ou o arquivo do certificado a outra pessoa.

Isso não significa que a equipe não possa atuar em nome do titular. Significa que essa delegação precisa ser formal, registrada e limitada, não um compartilhamento informal da credencial. O caminho reconhecido para isso é a procuração eletrônica, com escopo e prazo definidos.

Quem usa o certificado de outra pessoa sem essa autorização formal pode responder por falsidade ideológica, e o escritório ou empresa que não protege esse acesso está descumprindo o dever de segurança previsto no art. 46 da LGPD.

Como compartilhar certificado digital com segurança

A saída não é abrir mão da colaboração em equipe, seja ela formada por advogados associados, estagiários que peticionam no dia a dia ou colaboradores do departamento jurídico. É trocar o compartilhamento direto da credencial por um sistema de acesso delegado, onde o titular concede permissões sem entregar a senha ou o arquivo do certificado.

Compartilhamento via plataforma de gestão

O Whom.doc9 centraliza o certificado em nuvem e libera o uso por autenticação de dois fatores (2FA), permitindo que a equipe peticione em sistemas como PJe, e-CNJ e Projudi sem que nenhum colaborador tenha acesso à chave privada em nenhum momento. Cada ação fica registrada em uma trilha de auditoria imutável, resolvendo justamente o ponto cego de rastreabilidade que o compartilhamento informal cria, e o acesso pode ser revogado em um clique quando alguém sai da equipe.

Em quatro anos de operação, o Whom.doc9 não registrou nenhum incidente de segurança, com mais de 3.000 empresas e escritórios usando a plataforma para esse tipo de controle.

painel do Whom.doc9 mostrando controle de permissões de certificado digital por usuário

Como configurar permissões por usuário

  1. Cadastre o certificado na plataforma, uma única vez, sem necessidade de reinstalação em cada máquina.
  2. Crie um perfil para cada colaborador que precisa operar em nome do titular, seja advogado associado, estagiário ou financeiro.
  3. Defina o escopo do acesso: quais sistemas, em quais horários e por quanto tempo.
  4. Acompanhe pelos relatórios de auditoria quem acessou o quê e quando.
  5. Revogue o acesso imediatamente quando o colaborador muda de função ou deixa a equipe.

Compartilhar certificado com contador: o que fazer

Enviar o arquivo do certificado ou a senha para o escritório de contabilidade é uma das formas mais comuns desse tipo de compartilhamento, e uma das mais arriscadas: o titular perde qualquer visibilidade sobre o que é feito com sua identidade digital fora do próprio negócio.

A alternativa é conceder ao contador um acesso delegado e limitado aos sistemas que ele efetivamente precisa usar (como o e-CAC), com registro de cada operação, em vez de entregar a credencial completa.

Compartilhamento informalAcesso via Whom.doc9
Quem vê a senha/arquivoTodos que recebem o certificadoNinguém além do titular
RastreabilidadeNenhumaTrilha de auditoria completa
Revogação de acessoManual, depende de trocar a senhaImediata, um clique
Conformidade com LGPDExposta a riscoAlinhada ao dever de segurança

Perguntas frequentes sobre compartilhamento de certificado digital

Pode compartilhar certificado digital com o contador? Não da forma direta (enviando senha ou arquivo). O caminho seguro é conceder um acesso delegado e limitado aos sistemas que o contador precisa usar, mantendo o controle e o registro de uso com o titular.

Compartilhar certificado digital é crime? Usar o certificado de outra pessoa sem autorização formal pode configurar falsidade ideológica (art. 299 do Código Penal), já que os atos praticados são juridicamente atribuídos ao titular. A forma legal de delegar o uso é a procuração eletrônica ou um sistema de acesso controlado.

Como enviar certificado digital por e-mail com segurança? Não deveria ser enviado por e-mail. O arquivo .pfx e a senha trafegando por e-mail ou mensagens ficam expostos e sem controle sobre quem os recebe ou reencaminha. A alternativa é um gerenciador de certificados que libera o uso sem transmitir o arquivo.

Como controlar quem usou meu certificado digital? Com um gerenciador de certificados como o Whom.doc9, que registra cada acesso em uma trilha de auditoria: quem usou, em qual sistema e quando. Sem uma ferramenta assim, esse controle não existe na prática.

Conclusão

Compartilhar certificado digital sem controle não é um atalho, é um passivo que cresce junto com a equipe que usa a credencial. A saída está em substituir o compartilhamento informal por gestão de certificados digitais com controle de acesso, trilha de auditoria e revogação imediata.

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Sobre o autor

Daniele Consoni

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